quarta-feira, 31 de julho de 2013

Obrigado, Obrigado e Obrigado..

(Este vai ser um post longo, muito longo, de agradecimento e onde me poderão conhecer um pouco melhor, caso o queiram fazer.)

Para quem anda por estes lados, há mais de 2 dias, sabe que eu sou estudante.
Para quem anda por estes lados, desde ontem, poderá não o saber ainda.
No entanto sei que mesmo aqueles que andam aqui há muito tempo, poderão não saber que parte do meu tempo (muuuuuuuito tempo) é passado a estudar, muito menos qual a licenciatura que estou a tirar. Mas vamos por partes.

Como já disse algures por aqui, num dos imensos posts com que vos presenteio, sempre fui um gajo com uma boa capacidade intelectual, uma inteligência acima da média e uma extraordinária capacidade de aprendizagem. Podia ser modesto em relação a isto, mas acho que não o devo ser, porque quem fala a verdade, não merece castigo, e eu sou, de facto, um gajo inteligente. Da mesmo forma que digo isto, também posso dizer que fui bastante burro noutro sentido, no de não ter aproveitado as minhas capacidades a 100%. Aliás, penso que nem a 50% as utilizei.

Durante o secundário descurei dos estudos, estive literalmente a borrifar-me para aquilo tudo: para as aulas, paras os livros, para as notas, para se acabava o 12º ou não. Claro que foi um desgosto muito grande para os meus pais e também para a restante familia. Afinal de contas, é sempre doloroso ver alguém de quem gostamos a desviar-se do caminho certo. Foi então que decidi ir estudar à noite, uma vez que durante o dia fui obrigado a ter que trabalhar, mas o resultado foi o mesmo, não quis saber daquilo para nada. Depois a história do costume: rapaz conhece rapariga, rapaz apaixona-se por rapariga, rapaz deixa tudo e vai atrás dela e esquece que devia estar era focado na sua vida e em começar a emendar alguns dos seus inúmeros erros. Deixei de estudar de novo e comecei a trabalhar num bar em Peniche. Decidi, ainda durante esse ano em que fiz vida por lá, voltar a estudar, aproveitando a oportunidade que o ingresso através dos "Maiores de 23" me oferecia. Fiz as provas necessárias e entrei para o ESTM (Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar) de Peniche. Parecia que as coisas estavam a entrar no rumo certo.

Mas não estavam. A relação atravessou uma das fases mais criticas de sempre, houve uma rutura quase completa, e saí de Peniche. Mas continuava a estudar, através do sistema B-Learning (aulas dadas à distância e pela internet). Nesta altura, já eu estava a trabalhar em Lisboa, na empresa onde ainda estou hoje. As coisas estavam a correr bem nos estudos, apresentava resultados positivos, mas foi então que a minha avó materna adoeceu gravemente, entrou em coma, e eu e o meu pai passámos a fazer Lisboa-Mora-Lisboa todos os dias (pouco mais de 100kms), para apoiar a minha mãe que estava no Alentejo sozinha. Saiamos de Lisboa por volta das 20h, chegava-mos por volta das 21/21:30h. Saiamos de Mora no outro dia às 6:30h para estarmos às 8h em Lisboa. E foi assim durante cerca de 3 meses, até ao dia em que, eu e o meu pai, tivemos um acidente de carro e percebemos que não podiamos continuar assim. Claro que tive que abdicar dos meus estudos, congelei a matricula, e acabei por perder todo e qualquer interesse em voltar sequer a olhar para livros.

Até que a vontade e o desejo de voltar a estudar, de mudar de vida, de ser mais do que aquilo que sou hoje, cresceu de tal forma que tive que tomar medidas. Comecei à procura de cursos que me interessassem, universidades, preços, até que descobri o ISLA - Instituto Superior de Linguas e Administração (hoje, Universidade Europeia) e o curso que acabei por escolher: Marketing, Publicidade e Relações Públicas. Decidi abraçar com todas as minhas forças e vontades este novo rumo que queria dar à minha vida, e dediquei-me por completo a isto nos últimos 10 meses. Tive que fazer muitos sacrifícios, abdicar de muita coisa, esquecer que havia uma vida para além de trabalhar e de estudar, coloquei de parte toda e qualquer aproximação do género feminino (não me podia dispersar novamente) e passou tudo o resto para segundo plano. Passei noites e madrugadas na universidade a estudar, fins de semana em casa a recusar saidas com os amigos, passei muito mais tempo sozinho e vi menos vezes do que aquelas que queria, a minha familia. Mas os resultados apareceram! Mas eu tinha que provar a mim mesmo que conseguia e tinha outras pessoas a quem prestar provas de que isto não era só mais uma daquelas tentativas que morriam na praia, às vezes, sem sequer chegar à areia.

Mas para isto, durante toda esta luta, tive a ajuda de muitas pessoas, e é a essas pessoas que agora quero agradecer, em especial a uma, que vou deixar para o fim. Tenho que agradecer a todas as pessoas com quem trabalho, desde colegas a administração, por me terem substituído quando eu tinha que estudar e fazer os exames e à administração por nunca me ter impedido de faltar. Tenho que agradecer aos meus pais que me ajudaram da melhor forma que sabem e podem. Agradecer aos meus colegas de turma pelo apoio que sempre me deram nos meus objetivos (apoio que era extensivel a todos, pois somos uma turma bastante coesa e únida), mas terei que destacar algumas pessoas: a minha sister Camila Rodrigues, incansável companheira das noites de estudos e de momentos de diversão; Ângela Amaral, que mesmo comigo a gozar com ela constantemente, nunca me virou costas e estava sempre lá para aquela palavra de apoio; Mónica Nobre, pelos momentos de descontração que tantas vezes eram precisos e só os conseguia com ela; Alexandra Fernandes e Bruno Baia, que apesar de tudo, foram dois pilares do meu sucesso; Alexandre Mateus, o meu mais direto "adversário" mas que nos momentos importantes nos ajudámos um ao outro.Tenho que agradecer aos meus amigos, pelas palavras de incentivo que me foram dando ao longo de todo o tempo. Quero também agradecer a quem aqui vem, que sempre me deram alegrias com as coisas que me foram escrevendo e as felicitações. Foram meus companheiros nos momentos de pausa e foram um escape da realidade que me manteve a mente saudável. A todos vocês, o meu grande obrigado!

Agora o obrigado maior. Sim, é para ti. Aposto que até já estás a chorar. O maior e mais especial de todos os obrigados vai para ti, Helena Pinto! Por tudo, por tanta, tanta coisa que podia estar aqui a escrever um livro só com agradecimentos, e não chegava. Foste talvez a pessoa que mais acreditou em mim desde que me meti nesta aventura. A única que acreditou realmente que eu queria fazer algo por mim, algo para mudar, algo para me redimir e nem por um segundo desististe de mim ou me viraste as costas. Ajudaste-me em tantos aspetos que só espero um dia conseguir retribuir-te da mesma forma e tudo com juros. Sei até que nem sequer merecia este teu apoio. Sei bem as vezes que fui mau para ti. Lembro-me agora mais do que nunca aquilo que te fiz um dia durante a hora de almoço. Percebo agora melhor do que nunca o cabrão de merda que fui e que devia ter havido alguém que me tivesse dado com uma marreta de 10kgs nos cornos quando te fiz aquilo. Desculpa ter estragado aquele que era o teu momento de felicidade, o teu momento da concretização de um sonho, aquele momento em que contas à tua familia, com um sorriso de orelha a orelha, que tinhas concluido os teus estudos, a tua licenciatura, que eras enfermeira e que eu, do mais alto de meu egoismo, te disse para te calares que ninguém queria saber daquilo para nada! Desculpa! Desculpa por isto e por tantas outras coisas. E obrigado. Obrigado por, apesar de seres mais nova do que eu, me teres ajudado a crescer enquanto pessoa. É a ti que dedico os meus resultados, é por ti que nunca vou abrandar a velocidade nesta corrida em que entrei. Obrigado, Obrigado e Obrigado!

Faltam-me ainda mais dois anos de licenciatura, mais dois anos de árduo trabalho e mais dois anos de sacrifícios. Agora sei que sou capaz, já sabia que era capaz, mas hoje tenho as provas na mão em como é mesmo assim. Sei que quero continuar os estudos, quero ir além da licenciatura, mas uma coisa de cada vez. Sei como gerir o meu tempo entre trabalho, escola e vida pessoal. Sei que agora tenho espaço para introduzir na minha vida uma nova pessoa, caso surja alguém que me chame a atenção e que saiba que a minha vida girará à volta de muitas coisas e não só dela. Sei agora, acima de tudo, que não quero nem vou desistir.

Abaixo, deixo-vos com o resultado do meu esforço! Mais uma vez, Obrigado a todos!

(clicar na imagem para ampliar, sff)

terça-feira, 30 de julho de 2013

Tenho uma pila abençoada..

Pois que, caso não saibam, eu até sou um gajo bastante religioso e crente.
Sou tão religioso que há algum tempo decidi converter-me de vez à vontade do senhor e em apregoar a Sua palavra. Isto depois de perceber que sempre que uma mulher estava comigo, o mais normal era ela chamar por Deus e gritar o Seu nome em vão. Para isso, pedi a ajuda de um padre, o padre Valdeci Picanto Sobrinho para me guiar nos caminhos, às vezes dificeis de compreender, do Senhor.

Depois de algum tempo a aprender a sua técnica da passagem da palavra do Senhor e do Espirito Santo, hoje posso dizer que estou apto para ajudar todas as mulheres a redimirem-se dos seus pecados e a conseguirem o seu lugar no Céu, junto do Nosso Senhor Jesus Cristo.

A técnica poderá ser considerada pouco ortodoxa, tanto que levou a que as pessoas tenham feito de tudo para afastarem o meu grande amigo Valdeci, da sua igreja, da sua paróquia e das suas fiéis. No entanto, eu estou disposto a lutar contra tudo e contra todos e continuar o trabalho do meu mestre. Paralelamente à técnica que ele me ensinou, estou a desenvolver outras similares e que levarão de igual modo as senhoras a clamarem o nome do Senhor e a encontrarem o Espirito Santo.
Infelizmente, esta técnica só funciona com mulheres, pelo que peço, desde já, desculpas a todos os homens que de alguma forma se sentissem no caminho do pecado e a precisarem de redenção.

Deixo-vos aqui com a técnica utilizada por mim e a noticia sobre o afastamento do meu mestre.


John..



John entrou a correr no quarto, ainda a vestir as últimas peças do fato. Tinha chegado ali 20 minutos depois de receber uma chamada.

- Mike, o que temos aqui? – Perguntou John.
- Ainda não temos a certeza. Estamos a tentar abrir a tampa. – Respondeu Mike, enquanto ajudava Thomas a desmontar a parte de cima daquela mala.
- Ok – disse John -, e quanto tempo tenho?
- Quando tirarmos a tampa, tens cerca de 5minutos. – Disse-lhe Thomas, olhando-o nos olhos.

Mike e Thomas estavam no 2º Departamento Antiterrorismo de Nova Iorque quando receberam a primeira chamada desde há dois dias. Uma mala suspeita tinha sido encontrada abandonada num hospital pediátrico. Era assim desde aquele fatídico dia de 11 de setembro de 2001: as chamadas constantes, as suspeitas, as ameaças, o pânico que se instalava, o medo. Meteram-se no carro e toda a equipa seguiu a alta velocidade em direção ao hospital. Pelo caminho ligaram a John. Era ele o perito, aquele a quem recorriam sempre, aquele que já por tantas vezes tinha salvado inúmeras vidas. Era um herói incógnito para a cidade, para o país, para uma nação, mas um super-herói para quem o conhecia.

A tampa estava agora aberta, mostrando um engenho explosivo que nunca antes tinham visto. Entreolharam-se como que a tentar perceber se alguém tinha aquela expressão de quem sabe como resolver o problema, mas tudo o que encontraram foi espanto e dúvida.

- Bem, não interessa – disse John. – Vamos deitar mãos à obra! Mike, Thomas, vejam se há fios que passem por detrás da mala e que liguem a algum sitio.

John ajoelhou-se e olhou para aquele emaranhado de fios que saiam de uma caixa com um pequeno mostrador numérico. Marcava 04:23 e descia a cada segundo que passava. John já tinha desmantelado dezenas, para não dizer centenas, de engenhos explosivos, uns com um simples movimento de um alicate, outros mais complexos e mais demorados. Mas nunca tinha visto nada como esta. Alguém tinha dedicado bastante tempo e esforço para fabricar uma bomba que tivesse grandes probabilidades de explodir.

Sendo o melhor da turma desde que tinha entrado para as forças especiais [aos 23 anos], John tentava lembrar-se agora, a todo o custo, tudo o que tinha aprendido durante a sua formação e os muitos anos de serviço. Rapidamente concluiu que teria que usar a sua intuição, que já tantas vezes se tinha demonstrado acertada, para resolver aquela situação.

- John – disse Thomas, interrompendo-lhe os pensamentos -, está tudo estragado! Existe uma ligação até à máquina dos snacks. Temos mesmo que a desmantelar aqui.
- Merda! Ao menos o hospital já está todo evacuado? – Perguntou John.
- Praticamente todo, faltam só alguns quartos da ala mais afastada daqui, mas mais minuto, menos minuto, está completamente vazio. Quer dizer – disse Thomas, olhando para ambos -, estamos cá nós.

O mostrador marcava 03:11.
- Bem rapazes – disse John -, hora de saírem daqui! Se eu não conseguir desmantelar isto antes de faltarem apenas 45 segundos, saio daqui para fora também.

Thomas e Mike fizeram um aceno com a cabeça e correram pelo corredor em diração à segurança. John estava agora completamente sozinho e era assim que gostava de trabalhar. Precisava de silêncio, de ouvir única e exclusivamente o que a bomba lhe dizia, como o seu corpo reagia a esses sons. Enquanto dava voltas aos fios, os seus pensamentos, a par de estarem centrados no que fazia, divagavam por outros caminhos: quem é que poderia ter uma mente tão perturbada que quisesse matar inocentes? Ainda por cima, crianças! Ele até compreendia que os tentassem matar a eles, que atentassem contra o governo, contra militares, mas por muito que tentasse, não conseguia encontrar uma explicação para um ato destes.

Cortou um fio, mas o relógio continuou a sua contagem decrescente como se aquele fio tivesse sido ali posto só para criar uma falsa esperança. Marcava 01:50. Tinha pouco mais de 1 minuto para a conseguir desactivar antes de ter que sair à pressa. Concentrou-se ainda mais em toda a complexidade daquele engenho. Queria vencê-lo, derrubá-lo, poder rir-se na sua cara e saber que tinha impedido a destruição do edifício e de possíveis vidas humanas. Apesar de tudo, não podia ficar indiferente a ela. Era, de facto, uma bomba completamente invulgar. Uma obra prima para quem a construiu, o maior desafio de sempre para John.

00:56

Tinha que tomar agora uma decisão. Desistir e correr dali, ou continuar a tentar e ficar sem tempo para fugir. A muito custo, deu-se por vencido e levantou-se do chão.

- John! Estás a ouvir John? – Gritava Thomas pelo intercomunicador. – Ainda está uma criança no edifício! Como está isso por aí?

John ficara estático ao ouvir aquilo. Não podia sair dali sabendo que uma criança andava por ali, possivelmente perdida e cheia de medo. Tinha que ficar!

- Encontrem essa criança! Eu vou ficar! - Respondeu apressadamente.
- Mas isso é loucura!
- A minha decisão está tomada. Encontrem-na! - E desligou o intercomunicador.

Tirou a máscara, as luvas, e despiu o fato protector, que ele sabia agora, não lhe ir valer de nada caso não desativasse a bomba a tempo. Debruçou-se de novo sobre ela, olhando de perto, desviando fios, passando a mão pelo metal frio da guarnição dos explosivos.

00:17

Corta um fio e a contagem para. Tinha conseguido, tinha vencido, todos podiam descansar. Sorria agora, um sorriso de verdadeira felicidade. Limpou a testa, alagada em suor que lhe escorria pela cara abaixo, pingando o chão e entrando-lhe para a boca. Conseguia sentir o seu sabor salgado. Olhou pela janela, para as nuvens brancas que pontuavam um céu azul intenso e pensou que naquela noite ainda iria abraçar a sua filha bebé, que ainda iria fazer amor com a sua mulher. Voltou a olhar para o mostrador e o sorriso desapareceu imediatamente. O cronómetro estava de novo em contagem decrescente. John não perdeu tempo a agarrar no alicate de corte e olhar de novo para os fios. O suor entrava-lhe agora pelos olhos, dificultando-lhe a visão. Tinha apenas 3 fios ligados ao relógio. Tinha que tomar uma decisão rápida, tinha que conseguir!

00:03

Lembrou-se que lhe tinham dito que no momento que uma pessoa sabe que vai morrer, que a sua vida lhe passa à frente dos olhos como se fosse um filme. John viu o seu pai a ensinar-lhe a jogar beisebol no quintal de sua casa; viu a sua mãe a preparar tartes de maçã, a assar perú, a dar-lhe aulas em casa; viu o seu irmão a partir para o Iraque em mais uma missão. Lembrou-se que já não o via há cerca de 7 meses e de como tinha saudades dele; viu a sua mulher Katherine a dar à luz a sua filha Denise; viu a sua filha a fazer o seu primeiro aniversário, a ir pela primeira vez para a escola, a chorar o primeiro desgosto de amor, a felicitá-la na sua graduação, a levá-la ao altar; viu os seus netos; viu que possivelmente não iria ver nada disto. Esperou que, pelo menos, a criança tivesse sido encontrada.

00:01

Uma decisão tinha que ser tomada, um fio tinha que ser cortado. Mudou rapidamente o alicate para o lado esquerdo e cortou o fio azul.
Depois, foi o silêncio total.

E por toda a cidade se ouviu uma enorme explosão.



(Aceitando o desafio da Liz, que consiste no seguinte: "Imaginar que é um especialista em minas e armadilhas e tem de desmontar uma bomba relógio em 5 minutos. Está num hospital e em jogo estão todas essas vidas. Descreva a situação num breve parágrafo do ponto de vista do especialista, transmitindo a aflição do narrador em primeira pessoa." - Não segui o desafio à regra, para melhor se adaptar ao meu estilo. Quem quiser levar o desafio, está à vontade! Liz, espero não ter desiludido! :D )

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Mustache, que fazes tu quando não tens nada para fazer?

Vocês já sabem duas coisas acerca de mim:

1ª - Sou um gajo muito ocupado.
2ª - Sou um gajo muito tarado!

Por isso, quando não tenho aulas para ir, matéria para estudar, livros para ler, filmes para ver, treinos para fazer, trabalho por executar, gajas para pinar, o mais natural é que eu me entretenha a brincar com as mãos! Como? Ora que pergunta mais tonta! Até vos deixo com um video a mostrar o que faço e tudo!

video


Sim! É um homenzinho a saltar num trampolim! O que é que estavam à espera?!


Agora outro assunto, também de sua importância. Um amigo meu vai casar no dia 31 de agosto (totó, casa um mês depois do melhor dia para se casar, que como toda a gente sabe, é no dia 31 de julho!!) e hoje enviou um mail aos membros do nosso gang, a perguntar se algum de nós levava companhia. Claro que isto só demonstra que nenhum de nós tem gaja e que esta situação já aconteceu no ultimo casamento a que fomos, em junho do ano passado. Por isso, venho aqui perguntar se alguma das meninas quer acompanhar o Mustache no casamento. Se não tiverem mais nada para fazer, se quiserem comer e beber à grande e sem gastar um tusto, se quiserem a companhia de um homem gentil, simpático e bem vestido, basta enviarem mail a dizer que sim e depois é só combinar as roupas para se ir a condizer.
Claro que posso levar mais do que uma pessoa, por isso, se mais do que uma pessoa quiser ir comigo, desde que não se importem de me dividir, eu levo todas as interessadas. Mas a decisão tem que ser tomada até quarta-feira, para ele fazer as marcações dos lugares e das mesas e essas conformidades. E era espetacularmente espetacular, haver uma mesa só para o Mustache e as "suas" Mustachinhas.

Vá, pensem com carinho no assunto!

domingo, 28 de julho de 2013

Fui à Invicta..

.. Ou à Inbicta, como quiserem!
E podia vir aqui contar que pinei como se percebesse alguma coisa daquilo, que foi até a pila me doer e a donzela não se conseguir sentar sem fazer uma cara de dor devido ao tratamento que a patareca levou, mas parece que vocês não acreditam quando eu vos conto isto, por isso vou só dizer que andei pelo Porto sozinho e que o cansaço que sinto no corpo é unica e exclusivamente devido a ter andado muito pelas ruas e becos da cidade, e que a dificuldade que tenho em falar e caimbras na lingua foi de pedir muitas informações ao pessoal de lá.

Ficam as fotos do passeio para vocês, as memórias do resto para mim!

Houve telhados...

... escadas ...

... barquinhos ...

... bué da barquinhos mesmo ...

... pontes e mercados ...

... ruas a descer (esta é para o Diogo R., mas o meu iPhone fica aquém da tua máquina) ...

... Mustache (estou mesmo em todo o lado, aqui, numa versão mais franciú!) ...

... Fábio "Rocky" ...

... cenas de autêntica Perdição ...

... vistas espetaculares ...

... momentos certos ...

... pombos exibicionistas ...

... estar no meio do mar ...

... mais pontes, barquinhos e eco!



PS: Quero mandar um beijinho à menina Never que, ao saber que eu estava no Porto, foi a única pessoa que se dignou a aparecer ao pé de mim! :)

sábado, 27 de julho de 2013

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Oportunidade ou oportunismo?..

Os tempos eram dificeis. Não havia trabalho, não havia dinheiro e a comida começava a escassear. Estando casados há pouco tempo tinham uma decisão importante a tomar: ficar por Portugal ou tentar a sorte e emigrar. Ficar implicava uma vida sem possibilidades de grandes mudanças, de miséria, de sonhos desfeitos; emigrar, apesar de significar romper com as raizes, era também o caminho para novos horizontes e a possibilidade de uma vida melhor. Fizeram as malas e, no ano de 1934, partiram rumo à Inglaterra.

Joaquim, 36 anos, homem alto, cabelo escuro, pele calejada pelo trabalho e pelo sol, conseguiu arranjar trabalho na construção; Leonilde, 33 anos, mulher baixa, roliça, cabelos e olhos cor de azeitona, só ao fim de algum tempo é que conseguiu encontrar trabalho a limpar casas de pessoas da alta sociedade.

O tempo foi passando e a vida nem sempre lhes sorriu. O dinheiro continuava a não abundar, continuavam a ter que contar todas as semanas os tostões que sobravam. Tiveram um filho, tiveram uma filha, e cada vez mais era dificil sustentar 4 pessoas. Ela acabou por ficar sem trabalho e as discussões sobre a falta de dinheiro começaram. Acusações eram feitas sem serem devidamente refletidas, palavras eram lançadas com mais precisão do que balas. O casamento parecia estar a tomar um rumo em direção ao seu fim.

Mas a verdade é que, no fundo dos seus corações, o amor que os uniu desde a sua adolescência acabava por falar sempre mais alto que qualquer discussão e qualquer adversidade. Nunca desistiram deles, do seu casamento, do seu amor. 33 anos passaram e eles eram agora um casal de reformados que passeava descontraidamente e de mãos dadas pelas ruas de Londres, que se sentava nos jardins a dar migalhas de pão aos pombos e pássaros que tinham coragem suficiente para se aproximar deles.

Estavam na primavera de 1967, em mais um dos seus passeios pela tarde e a falar sobre o passado, o presente, o futuro, os filhos. Sentaram-se num banco, bem encostados um ao outro:

- Joaquim, já viste como o tempo passou?
- É verdade... Parece que foi ontem que viemos para aqui.
- Sim, tenho saudades do nosso Alentejo, sabes?
- Sei...
- Viemos para aqui a pensar que ia ser fácil e quase que íamos arruinando tudo..
- A vida tem destas coisas.
- Mas diz-me, o que achas que nos manteve juntos durante todos estes anos, mesmo quando tinha sido mais fácil cada um seguir o seu caminho?

Neste preciso momento, e antes do Joaquim ter tempo para responder, um homem que ia a passar por eles, de mãos nos bolsos e ar pensativo, ouviu única e exclusivamente a resposta de Joaquim.

- Oh Leonilde, is love!


E foi assim que, aquele homem de seu nome John Lennon, encontrou titulo para uma das músicas de maior sucesso de sempre dos Beatles!


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Com quem pinava hoje..

Hoje é quinta-feira, logo é dia de eu vos mostrar com quem gostaria de pinar, caso pudesse escolher alguém de todo o universo feminino.
Já deu para perceber que no que diz respeito a pinar, eu sou um gajo tem um gosto bastante vasto, e o que alguns negariam logo à partida, eu sou gajo para ir fazer dessa mulher, uma mulher bastante feliz!
Comecei com uma mulher com quem me casaria se ela me fizesse o pedido.
Depois passei por uma mulher, onde não houve consenso quanto à sua beleza.
E na semana passada, mostrei uma "mulher-fetiche".

Está visto que qualquer mulher que ande por este mundo, me agradaria para uma pinadela, fosse ela dada com mais afinco e dedicação, ou mais naquela de "vamos mas é a despachar isto que ainda tenho que ir estender a roupa". Sim, para mim, todas as mulheres merecem os seus 3 minutos de felicidade que eu consigo proporcionar! Por isto, decidi fazer algo um pouco diferente hoje.

Ora, num mundo paralelo, eu sei que sou uma gaja. Mas uma gaja boa, tipo 1,75m, 65kgs, mamas fartas mas sem serem descaídas, um rabo redondido e rijinho, ali sem celulite nenhuma, uns lábios carnudos, um corpo completamente sexy, uma cara de anjo e uma mente completamente preserva?? perversa.
Claro que a ser uma gaja assim, todos os homens andariam a libertar mais baba pelas glandulas salivares que o Tartaruga Genial liberta sangue pelo nariz a ver a Bulma a trocar de roupa, mas eu só quereria estar com o Mustache, como é óbvio. Mas nessa impossibilidade de poder estar com o gajo mais giro e sexy e espetacularmente espetacular que existe na terra e possivelmente no universo, era por este menino que eu suspirava enquanto apertava as perninhas uma contra a outra para não fazer pocinha no chão.

Convosco, Josh Holloway!




(Vá meninas, digam lá que eu não sei apreciar um hóme bonito!)

Eu devia estar a dormir...

... mas é isto todas as noites!



quarta-feira, 24 de julho de 2013

É sempre esta merd....

Eu não tenho filhos, ou pelo menos, não tenho crianças que me chamem pai. No entanto, e na ausência de filhos reais, o meu carro assume esse papel. Até porque se pensar bem, o que gasto com ele em combustivel, seguro, inspeções, revisões, pneus, dará certamente para cuidar de uma criança ainda em fase de cagatório ambulante. O meu carro é mais importante para mim do que qualquer outra coisa na minha vida, porque me custa a pagar todos os meses e porque é o meu meio de transporte para todo o lado.

Por isto tudo, sou bastante cioso com ele e muito dificilmente o empresto a alguém. O meu pai teve que esperar quase um mês até o conduzir pela primeira vez. E caso não seja um membro da familia a pedir-mo é bom que a necessidade de o utilizar esteja relacionada com alguém estar em trabalho de parto ou ter um pulmão a sair-lhe pelo umbigo. Ou em último caso, que precisem dele para transportar um cadáver!

Mas eu às vezes sou bom rapaz e até abro pequenas exceções, que foi o caso de hoje, e emprestei o carro ao meu irmão porque ele só tem mota e precisou ir comprar umas caixas de cartão para fazer a mudança para a casa nova e aquilo é complicado de transportar na mota. E a verdade é que, se eu empresto o carro, quando mo entregam ele pode vir com menos gasolina, pode vir com outra estação de rádio ligada, pode vir com os espelhos noutra posição, pode vir a cheirar a bufas, pode até vir mais sujo que que não me importo, mas... não me mudem o banco do sitio!!!!

É que aquilo está na posição certa, de todas as maneiras possiveis, para eu ter uma condução suave, suave... E para conseguir arranjar a posição 100% certa, demoro semanas com muitas tentaivas falhadas! Ora, claro que o meu irmão hoje mudou o banco de sitio! Andou para a frente, para cima, a inclinação das costas, a altura do banco, tudo! E a viagem que fiz do trabalho para casa foi, tal como eu esperava, uma tortura, em que vim o caminho todo a dar pequenos ajustes numa tentativa (falhada) de voltar à perfeição.

Mas eu lixo o sacana! Da próxima vez que ele me emprestar a mota, pode ter a certeza que a vou trocar por um triciclo!!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Sabes que andas completamente com a "cabeça na lua" quando..

... chegas a casa, depois de teres saido para ir fazer o último exame do semestre e do ano letivo, estás sentado na cama e te vais descalçar, olhas para baixo e vês isto:


Eu podia dizer que tenho outro par igual na gaveta, mas não sei se isso abona muito a meu favor!


Agora outro assunto, relacionado com escrita.
A menina Lia começou a escrever uma história no seu blog e, a determinada altura, pediu-nos (a quem lá vai) que escrevêssemos o final dessa mesma história. Claro que eu tinha que participar, ou não me chamasse eu, Mustache, the Bearded! E foi este o final que eu escrevi e que a Lia achou que foi o mais criativo, de entre todos os que recebeu (e ouvi dizer que recebeu para cima de mil finais!). Quem quiser ir ler, verá que não é um final tipico meu, mas penso que está bonito! Claro que convém ler as outras partes antes, mas é uma história interessante!
Aaah e também vale a pena ler as outras coisas que ela por lá deixa, é um blog giro, vá..

Definição de amor..

Esta é, para mim, uma das melhores de sempre..

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Prá mudar a minha vida
Vem, vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva...

Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz...

Ainda tem o seu perfume
Pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara?
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas...



E volto a dizer que não, não estou a apaixonado nem nada que se pareça. Pelo contrário, isto possivelmente é saudades de estar apaixonado, daquela sensação boa de leveza e felicidade, de estar 24horas com aquele sorriso idiota na cara, das descargas elétricas que percorrem o corpo antes do encontro com a outra pessoa, das pernas a tremer quando a vemos ao longe - a sua cara aberta num enorme sorriso -, o esquecer tudo quando os lábios se tocam, saudades de ver as cores vivas que me rodeiam em vez de ver tudo baço e em tons de cinza... Saudades de ter saudades de alguém.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Os 10 mandamentos da porta dos fundos..

Acredito que possam ter pensado coisas erradas, e confesso que o título pode levar a esse tipo de pensamentos, mas não é nada do que pensam!

Como o meu último exame é amanhã e preciso estudar a sério e por isso não vou ter tempo para nada, deixo-vos com um video para se rirem muito! Vejam outros destes meninos que é de rebolar no chão a rir!



Prometo que um dia escrevo a falar sobre aquilo que pensaram inicialmente!

sábado, 20 de julho de 2013

Opção de escolha..



Encontrei esta imagem pelas internets e lembrei-me que este assunto tem surgido várias vezes nas minhas conversas com outras pessoas nos últimos tempos.

Quantos não são os pais que depositam nos filhos todos os seus sonhos falhados? As esperanças que os filhos se tornem aquilo que eles não foram capazes de ser? E não me refiro a serem boas pessoas, ou a terem valores. Não. Refiro-me mesmo a nivel profissional, a chegarem a uma posição de topo, a serem reconhecidos pela sociedade. Sonhos que as pessoas tinham e, por não os conseguirem atingir, esperam que os filhos o consigam.

Acredito que o queiram, também, apenas para o bem deles, para que possam ter uma vida mais desafogada de preocupações e chatices, para que tenham dinheiro suficiente para manterem um nivel de vida melhor do que a que têm agora. Mas ao depositarem esses sonhos, essas esperanças, essas expectativas nos filhos, não estarão também a exercer demasiada pressão sobre eles? Pressão essa que pode levar a que a criança sinta que tem uma obrigação para com os pais em vez de seguir os seus próprios sonhos?

Conheço casos em que isso aconteceu, em que os pais depositaram demasiadas esperanças e expectativas nos filhos e que, quando estes não os conseguiram atingir, a desilusão foi enorme, acabando até por provocar um afastamento entre eles. Eu posso dizer que fui um desses casos. Desde a primária que os professores diziam aos meus pais que eu tinha uma inteligência acima da média, que podia ser o que eu quisesse ser, que só não seria o que não quisesse ser, blá blá blá. Depois, ao longo do restante tempo de escola, essa conversa continuou, "o Eduardo é brilhante", "o Eduardo é o melhor da turma", o Eduardo isto e aquilo. Isto acabou por criar, mais no meu pai, expectativas altíssimas sobre mim e sobre o meu futuro. Não que ele quisesse que eu fosse algo que ele nunca conseguiu ser, pois ele sempre quis ser aquilo que é hoje e no que trabalha há mais de 40anos! Mas acabou por pedir demais de mim, esperar sempre grandes resultados e a não "tolerar" resultados medianos.

Hoje, olhando para trás e refletindo, sei que isso foi uma das coisas que me fez desligar dos estudos e ter uma vida que não era a que esperavam de mim. (Isso e as gajas, as gajas também me ajudaram a desligar-me dos estudos.. suas malvadas!). Andei uns anos "perdido" pela vida, há quem diga que "andei a viver a vida na altura certa", e atualmente, com 29 anos, trabalho e estou a prosseguir com os meus estudos e a tirar uma licenciatura com bons resultados. O que faço agora não é mais do que dar o primeiro passo para perseguir os meus sonhos, os meus desejos, os meus objetivos. A pouco e pouco, o meu pai percebe isso, e a desilusão que tinha está a ser substituida por orgulho.

E vocês, conhecem casos destes? São vocês um caso destes? Fica o tema para quem quiser responder.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Aquilo que nos fica..



14 de março de 1936

- Salta. – Disse ele. – Salta, que eu agarro-te.
- Mas eu tenho medo. – A voz dela tremia a cada palavra.
- Clara, olha para mim. Já alguma vez te deixei cair?
- Não…
- Então o que esperas? Salta, eu agarro-te! – E ao dizer isto, abriu os braços, estendendo-os na sua direção.
Clara passou a manga da camisa pelos olhos para limpar as lágrimas que lhe toldavam a visão, esboçou um sorriso nervoso e atirou-se para os braços de Duarte. O seu vôo, com cerca de 3metros, foi aparado por ele de forma um pouco trapalhona, mas não a deixou cair ao chão.
Era habitual irem brincar para aquele enorme carvalho, trepando-o e imaginando que era um castelo que tinham que defender. E ali ficavam, perdidos no tempo, até o sol se pôr e regressarem cada um a sua casa. Correram pelos campos repletos de flores, pelo antigo caminho de terra batida, até chegarem a casa dela.
- Duarte, porque é que disseste, lá, na árvore, que querias casar comigo? – Perguntou Clara, enquanto metia as mãos nas ancas e as abanava.
- Para te poder beijar sempre que eu quiser.



19 de Junho de 1956

- Aaai!! – Gritava Clara.
- Força, está quase. Já se vê a cabeça a aparecer. – Dizia a parteira.
- Duarte, dá-me a tua mão, por favor.
Ele correu do canto do quarto onde estava e agarrou a mão da sua mulher. – Já aqui estou, querida. Aguenta só mais um pouco. – E, olhando Clara nos olhos, disse-lhe num enorme sorriso – Pensa na alegria que vais dar à Daniela, um irmão ou uma irmã, que ela tanto quer.
- Que nós tanto queremos... – Murmurou Clara, antes de lançar um último grito.
- Parabéns, é um menino! – Congratulou a parteira, enquanto limpava o bebé, antes de o pousar sobre o peito de Clara.
Duarte saiu do quarto e foi buscar Daniela, a primeira filha do casal, hoje com 5 anos, à sala. – Já podes ir ver a mamã e o teu irmão mais novo. É um menino lindo.
Daniela correu pelo corredor e entrou no quarto, apressando-se a abeirar-se da cama.
- É o teu mano, não é giro? – Perguntou-lhe Clara.
- Sim. – E sem hesitar, disse. – É o meu mano Francisco.


27 de outubro de 1997

- Lembras-te da nossa viagem a Paris? – Perguntou Clara.
- Claro que sim! Como me poderia esquecer? – Respondeu Duarte com ar sonhador. – Perdidos no meio da cidade, sem saber falar uma palavra de francês, a chover e nós sem guarda-chuva.
- Ah ah ah! Já nem me lembrava que estava a chover. Mas agora que faço um esforço mental, lembro-me de termos entrado no hotel completamente encharcados, a pingar água pelo hall, a rir que nem dois doidinhos enquanto o empregado corria para nós a dizer qualquer coisa, certamente a rogar-nos uma praga!
Duarte ria ainda mais alto que Clara ao lembrar-se da sua lua de mel. Tinham sido 10 dias maravilhosos, recheados de amor e desejo.
- Paris ficará para sempre na minha memória. – disse Duarte,  substituindo as risadas por um tom mais baixo e ternurento. – Afinal, foi onde plantámos o nosso primeiro rebento. Lembro-me de termos chegado ao hotel, já depois da meia-noite e com dois copos de champanhe a mais, ter corrido contigo para o quarto e…
- Cof cof cof!!.. – Duarte foi interrompido por mais um ataque de tosse de Clara. Apressou-se a levantar-se da cadeira e ajuda-la a endireitar-se na cama para aliviar a tosse. Há muito tempo que Clara não tinha um ataque destes. Duarte pegou num lenço que estava na mesinha de cabeceira e entregou-lho. Continuou a tossir durante pouco mais de um minuto e, quando tirou o lenço de frente da boca, o branco do tecido era agora uma pequena mancha vermelha.


23 de janeiro de 2002

"Clara, meu amor, tenho tantas saudades tuas. Venho aqui todos os dias, a esta árvore que em tempos foi a nossa fortaleza no céu, e olho para o teu nome, gravado nesta pedra de mármore fria e inanimada. E logo tu que eras uma mulher tão quente e cheia de vida. O meu coração chora sem parar desde que nos deixaste há um ano. Não perdoo a Deus por te ter feito isto, por nos ter feito isto, por te ter tirado de mim, dos nossos filhos. Chama-me egoísta se quiseres, mas mesmo que Ele te quisesse a seu lado, havia outra altura para o fazer, outras maneiras de o fazer. Maneiras mais simples, menos dolorosas. Dizem que não há morte mais bela do que morrer durante o sono, mas eu não consigo ver beleza na tua morte,  mesmo que tenhas partido durante o sono, nunca Lhe perdoarei o sofrimento causado ao longo de 5 anos por causa daquele maldito cancro. Eu queria-te comigo até ao fim, ao meu fim. Preferia ter morrido um segundo antes de ti, para que nunca soubesse o que é viver sem ti. Também os teus filhos sentem a tua falta, principalmente a Rita, que ainda não se conseguiu recompor. Tu sabes como ela sempre foi mais frágil. Queria que te sentasses comigo todos os dias no alpendre da casa que viu nascer os nossos três filhos, para nos lembrarmos de tempos passados. Num último pedido teu, quase adivinhando o que estava para vir, quiseste ser enterrada aqui, debaixo deste carvalho enorme. Sabes, sempre que aqui venho, lembro-me daquele dia em que tiveste medo de saltar do ramo donde já tinhas saltado centenas de vezes e eu te disse que te agarrava. Tínhamos 10 anos e uma vida inteira pela nossa frente. Saltaste e eu agarrei-te para nunca mais te largar. Mas vi-te a deslizar pelos meus dedos e nada pude fazer para te agarrar, a não ser assistir à Sua piada de mau gosto. Agora ficam-me as memórias de ti, de nós. Fica-me a memória do nosso primeiro beijo, tão inocente e tão verdadeiro, que até me fez esquecer a imensa dor que tinha no pé, provocada pela pisadela que me deste depois daquele teu salto."